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EXPOSIÇÃO FRONTEIRAS DO BAÚ RESGATA A TRAJETÓRIA DO NEGRO NO BRASIL E NO MUNDO

17/11/2017

A abertura da exposição Fronteiras do Baú acontece na sexta-feira (17), às 19h30, na Casa da Cultura 'Prefeito Armando Bambozzi', e permanece aberta para visitação pública até o dia 30 de novembro. A mostra reúne documentos, objetos, roupas e painéis históricos originários de Porto Alegre, RS e de outros estados brasileiros.

Fronteiras do Baú objetiva aproximar educadores, alunos do ensino fundamental até o ensino universitário e a sociedade em geral, para uma reflexão e uma consciência pelo processo o qual o negro tanto contribuiu em várias áreas e foi discriminado a ponto de não contarem os seus feitos e muito menos aparecer na mídia como protagonistas.

O projeto Fronteiras tem a honra de mostrar o acervo de Vanderlen Amaral da Costa, de Lavras do Sul/RS; um colecionador e também denominado de ´Griot´, que teve várias obras publicadas e premiadas, entre contos, poesias. Este possui um conhecimento vasto da história do negro, tanto oral quanto material a qual merece ser divulgada, revelando assim vários heróis negros e histórias que nunca foram citadas.

Pensando no conceito de responsabilidade e inclusão social este acervo busca discutir o curso da história dos negros no Rio Grande do Sul, no Brasil e no Mundo, remetendo assim a uma reflexão da inserção do negro no contexto social dos 114 anos de pós-abolição da escravatura.

Com o objetivo de contribuir com as ações de outras personalidades negras como, por exemplo: Abdias do Nascimento, Solano Trindade, Raquel Trindade, Ney Lopes, professor Eduardo de Oliveira, entre outros, o gaúcho Vanderlen Amaral da Costa, 74 anos, retira do fundo do seu baú uma parte da história que ainda não foi contada. Este material, resultado de mais de 60 anos de dedicação, originou a exposição “Fronteiras do Baú”.

De acordo com João Bento, o Cucão, diretor de Difusão Cultural da Casa da Cultura e ativista das causas negras em Matão, “a lei 10.639/03 que se caracteriza como uma significativa ferramenta para desconstruir o Mito da Democracia Racial e elevar a autoestima das crianças negras e da própria comunidade negra, fortalece a exposição Fronteiras do Baú, que vem para despertar a valorização da Cultura Africana e Afro-Brasileira”.

Ele salienta ainda que é preciso trazer à tona tais documentos que revelam a História do Negro como forma efetiva de divulgação de fatos reais que aconteceram ao longo de todos esses anos. “Quero ressaltar também que a Casa da Cultura sede espaço para a exibição da mostra “A Hsitória dos Negros de Matão”, que reúne banners alusivos às famílias negras que fizeram parte da história e desenvolvimento econômico do município como as famílias Galvão, Santos, Sales, Guimarães, Aleixo, Floriano, Ribeiro, Figueira, Bento, De Paula, Jacinto e Carvalho. Portanto, teremos dois eventos que marcam o mês de reflexão acerca da Consciência Negra”.

Júlio Ribeiro, diretor do Departamento de Cultura, reforça que “a história é uma cultura fascinante que quando contada, mais sabemos e queremos saber. Uma nação não pode sobreviver sem a sua história, pois aprendemos que nas glórias tiveram pessoas e heróis que morreram por uma causa. Contar a verdadeira história é trazer o conhecimento à sociedade em geral. Com certeza será um evento de interação étnico- racial”.

A abertura da exposição contará com a presença do secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Dr. Marcio Elias Rosa, que na oportunidade irá proferir palestra intitulada “Cidadania”. Prof.ª Elisa Lucas Rodrigues, coordenadora de Políticas Públicas para as Comunidades Negra e Indígena da Secretaria da Justiça também já confirmou sua presença.

 

MARCIO ROSA

Márcio Elias Rosa ingressou no Ministério Público de São Paulo em 1986. Trabalhou como promotor de Justiça no Vale do Ribeira, em Apiaí, Sumaré e Barueri. Na Capital, atuou na Promotoria de Justiça Criminal de Santo Amaro e na Promotoria de Justiça da Cidadania, hoje Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social. Entre suas iniciativas exitosas estão a criação da Promotoria de enfrentamento à violência doméstica, as promotorias regionais e o programa de localização e identificação de desaparecidos. Liderou a campanha contra a PEC 37/2011 e criou o núcleo de políticas públicas do MP-SP. Ao longo de sua carreira no Ministério Público, Márcio Elias Rosa sempre defendeu a concretização de direitos sociais, sendo mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP.

Rosa é professor universitário e da Escola Superior do MP, além de autor de livros e artigos sobre Direito Constitucional e Direito Administrativo e Tutela Coletiva. É docente emérito da Faculdade Presbiteriana Mackenzie.

 

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