Programa ‘Boa Praça’ segue aprimorando os cuidados com os espaços públicos em Matão
‘Boa Praça’ é uma pessoa idosa, que com seu carisma e dedicação cuida da praça, fortalecendo as amizades na comunidade e incentivando a manutenção da limpeza e conservação desse espaço público de lazer.
O programa Boa Praça é fruto de uma parceria entre Prefeitura - por intermédio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - e ONG OCARA, cujo foco é o desenvolvimento da ‘Cultura, Meio Ambiente e Cidadania’.
O projeto Boa Praça idealizado pelo Prefeito Adauto Sardoelli, formatado e desenvolvido por Maria Bellintani (diretora de Meio Ambiente) e Sebastião de Deus Moreira/Tião (Secretário de Governo), O projeto funcionou inicialmente em fase experimental, abrangendo 20 praças e 18 pessoas idosas (14 homens e 04 mulheres), de outubro de 2007 a janeiro de 2008, registrando-se nesse curto espaço de tempo toda a eficiência do projeto, chegando em 2016 a envolver 39 praças e 48 idosos (45 homens e 03 mulheres). A ideia foi valorizar as pessoas idosas que já cuidavam das praças, espontaneamente, por amor ao lugar, e ainda eram muito respeitadas por todos da comunidade.
Interrompido, por alguns anos, o Programa Boa Praça foi retomado e transformado em Lei Municipal 5.500/2021 pelo atual prefeito Cido Ferrari, “Nossa intenção em criar a lei foi para que não seja mais descontinuado, após mudanças de governos, pois o ‘Boa Praça’ traz muitos benefícios para a cidade’, reforçou o prefeito.
Atualmente os 59 participantes recebem uma ajuda de custo de R$ 500,00 em dinheiro e mais um vale alimentação de R$ 500,00, para comprarem no comércio local, e vivenciam capacitações teóricas e práticas, sobre temas ambientais e de formação humana. O perfil dos membros é: pessoas idosas, aposentadas, com mais de 60 anos, de baixa renda, que residem próximos às praças, que gostam de cuidar do meio ambiente, e ainda têm facilidade em se relacionar com a vizinhança.
Além da ajuda de custo, a equipe gestora do ‘Boa Praça’ criou um ciclo de formações/capacitações, bem como encontros para confraternização, a fim de fortalecer o vínculo e facilitar a atuação dos integrantes diante das responsabilidades de zeladoria e cidadania.
Assim nos últimos quatro anos, as praças públicas de Matão foram transformadas em beleza, atraindo os moradores de seu entorno para passeios, promovendo mais bem-estar a população. Neste sentido, a fim de aprimorar os conhecimentos do ‘Boa Praça’, nesses últimos quatro anos de retomada, os organizadores criaram o Programa de Educação Ambiental do Boa Praça. Dessa forma diversos temas ambientais foram desenvolvidos:
Como separar os resíduos, sejam os galhos provenientes de podas, das folhas, e qual a correta destinação desses resíduos, inclusive dos vidros, que eventualmente ‘aparecem’ descartados nas praças. O objetivo foi elaborar um plano para tratar as questões de educação ambiental; também visitarem a Chácara Florada dos Ipês, na Via Augusto Bambozzi, no bairro Boa Vista, para receberem instruções a respeito do manuseio de abelhas sem ferrão, em um meliponário; foram realizados vários momentos de confraternização, nomeados ‘Café da Manhã Especial’, na Casa da Cultura, aos idosos do ‘Boa Praça’.
De acordo com a educadora ambiental da ONG OCARA Luizza Zupanni, o Programa de Educação Ambiental do Boa Praça foi criado para fortalecer o protagonismo da pessoa idosa nos espaços públicos, capacitando-os a atuarem como agentes educadores ambientais. A iniciativa busca reintegrar os idosos à vida social contemporânea por meio do acesso a temas ambientais atuais, complexos e relevantes — desde conhecimentos tradicionais até assuntos modernos como créditos de carbono e energias renováveis.
As formações abrangem uma ampla variedade de conteúdos ministrados pela educadora ambiental do programa e por parceiros convidados: biomas brasileiros, impactos ambientais, sistemas agroflorestais, PANCs, horticultura em pequenos espaços, tipos de solo, logística reversa, fauna e flora regionais, identificação de plantas tóxicas e exóticas, segurança em trabalho de campo, orientação sobre animais peçonhentos, paisagismo urbano, saneamento básico, fontes de energia renováveis, biocombustíveis, cultivo de orquídeas, preparação de remédios naturais, meliponicultura e direitos da pessoa idosa.
As temáticas foram desenvolvidas, por meio da colaboração dos seguintes profissionais: André Luiz Aragão (primeiros socorros e manejo seguro), Dib Elias (paisagismo e planejamento urbano), Douglas Aranha (saberes ancestrais), Luiz Gonzaga Bussola (orquídeas), Paula Freitas (exercícios e alongamento para redução de riscos físicos), Ricardo Falconi da Cambuí Agrícola (fauna e flora regional), além do Grupo Águas de Matão/AEGEA, responsável pela formação dos participantes como Embaixadores do Saneamento.
As atividades externas também integram o processo educativo. Os idosos visitaram o Meliponário Vô Naldo, onde aprenderam sobre o manejo de abelhas nativas sem ferrão e até receberam caixas por sorteio, ampliando as possibilidades de geração de renda e conexão com a natureza.
Participaram ainda de ações culturais na Casa Pipa, como a mostra PNAB Respirar o Amanhã, de Douglas Aranha — um diálogo visual sobre cenários futuros do aquecimento global — e o espetáculo Lola, a Pomba Tola, garantindo acesso à arte e fortalecendo o vínculo da terceira idade com espaços culturais da cidade.
Todo esse conteúdo é pensado para que o idoso possa aplicar o aprendizado diretamente na praça onde atua, seja interpretando necessidades ambientais do espaço, orientando a população transeunte, auxiliando na identificação de problemas e espécies, ou mesmo adotando práticas sustentáveis que podem gerar renda, como produção de mudas, cultivo de plantas ou manejo de abelhas nativas. As praças passam a funcionar como núcleos comunitários de educação ambiental, comunicação e cuidado com o território.
O programa conta e contou com parcerias fundamentais, como o Grupo Águas de Matão (AEGEA), Cambuí Agrícola, Casa Pipa, profissionais de saúde e segurança, além de especialistas voluntários em biologia, cultura, saneamento, paisagismo, fauna silvestre e direitos do idoso. Essas colaborações ampliam o alcance e garantem a qualidade técnica das formações.
Com esse conjunto integrado de ações, o Boa Praça fortalece a autonomia, o conhecimento e o papel social dos idosos, transformando-os em agentes ambientais ativos, valorizando seus saberes e contribuindo para praças mais cuidadas, seguras, vivas e conectadas à comunidade.